Transplante de córnea à laser: mais rápido e seguro

cirurgia-refrativaHá anos estamos nos dedicando à realização de transplantes de córnea. Havia um tempo em que a obtenção de tecido doador era extremamente difícil. Hoje, graças a uma maior sensibilidade por parte dos doadores e uma melhor organização do sistema publico na captação de órgãos, o quadro melhorou, e muito. Agora quem sabe tenha chegado a hora do pulo na esfera da tecnologia.

Temos trabalhado há mais de um ano com o laser de femtosegundo. Iniciamos pelas cirurgias refrativas e, em seguida, adotamos o recurso para implantação de anéis em ceratocone. Agora passaremos a utilizá-lo também para os transplantes de córnea, com o intuito de termos maior segurança e precisão no transplante.

Realizei recentemente no Hospital Albert Einstein o primeiro transplante de córnea assistido por um laser de última geração, chamado femtosegundo (mais rápido que o nanosegundo e que concentra altíssimas quantidades de energia no plano da córnea cortando-a com precisão e reprodutibilidade). Trata-se de um laser ultra-rápido e aplicado com altíssima potência, permitindo que o corte seja realizado de maneira extremamente focada e com baixa lesão dos tecidos circundantes à área trabalhada. Neste caso, o grande ganho é que a precisão oferecida pelo laser femtosegundo permite um encaixe mais preciso da córnea doada com a do receptor. Esse encaixe faz com que a área de contato entre os tecidos receptor e doador seja maior, diminuindo o risco de rejeição e garantindo uma recuperação mais rápida.

Sem dúvida tudo que foi exposto acima pode ser considerado uma inovação. O laser femtosegundo oferece muito mais precisão e previsibilidade, ou seja, além de oferecer mais segurança aos nossos pacientes, conseguimos prever os riscos e os resultados de cada cirurgia antes mesmo da sua realização. Antes da cirurgia, uma análise da córnea do paciente é realizada e alimenta um software que auxilia no planejamento de toda a operação, com foco nos locais exatos de onde devem ser realizadas as incisões.

Durante a cirurgia, além de o médico contar com o mapeamento preciso dos pontos a serem trabalhados com o laser, a rapidez e a potência do equipamento permitem que as incisões sejam realizadas em poucos segundos, praticamente sem riscos. Durante esses segundos, o olho do paciente é mantido imóvel- por um sistema de vácuo e o foco da aplicação é coordenado pelo cirurgião mediante o planejamento dos parâmetros da cirurgia. Além de rápido, o procedimento é possível de ser realizado com anestesia por colírio, o que também oferece mais segurança para o paciente, já que não há necessidade de anestesia geral.

Riscos

Os maiores riscos relacionados às cirurgias refrativas eram os chamados flaps – finas placas de tecido –, que antes eram obtidos por meio de lâminas. Com o laser de femtosegundo esse risco foi minimizado. Os flaps passaram a ser obtidos sem cortes, apenas com a separação dos tecidos por meio de bolhas de CO2 emitidas pela incisão do laser.

Esse aspecto do novo procedimento também oferece mais segurança ao paciente. Essas bolhas são absorvidas pelos tecidos em 24 horas. Portanto, se a incisão for inadequada ou realizada em local errado, o procedimento pode ser abortado – enquanto o organismo absorve as bolhas sem sofrer nenhum dano – e efetivado em outro dia.

Além disso, durante a cirurgia o médico conta com um monitor com imagens digitalizadas que conseguem programar as incisões do laser. É possível visualizar a sua ação antes mesmo das próprias aplicações, possibilitando qualquer correção, caso seja necessária, imediatamente.

Novos formatos de cortes

Durante cerca de 30 anos, os cortes em cirurgias de córnea eram feitos sempre em formato cilíndrico. Com o laser femtosegundo, os cortes podem ter vários formatos. Esta possibilidade é exatamente o que permite um encaixe perfeito dos tecidos no caso dos transplantes.

Recuperação

Com a nova técnica, a recuperação pós-operatória é mais rápida e menos desconfortável para o paciente, porque se reduz a necessidade de suturas (pontos). A qualidade refrativa é melhor com menor indução deastigmatismo no pós-operatório.
Sem duvida um ganho.

 

Fonte- Portal dos Olhos

 

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