Cientistas de Harvard criam lente que pode ser utilizada para o tratamento do Glaucoma

Uma das principais dificuldades no combate ao glaucoma é fazer com que quem sofre da doença siga corretamente o tratamento, determinado pelo médico oftalmologista, sem pausas. A falta deste controle acarreta em grandes prejuízos para o êxito do tratamento, afinal, o glaucoma é a maior causa de cegueira não curável no mundo.

Esta situação pode começar a mudar com os avanços da tecnologia. Cientistas da Escola de Medicina de Harvard publicaram nesta semana, na revista Biometrics, estudo referente a um novo composto sintético em forma de lente de contato que libera medicamento para o glaucoma automaticamente e de forma programada. A nova lente seria independente, ou seja, o paciente não precisaria se preocupar em pingar colírios, ficar atento aos horários, etc.

“Este design de lente de contato pode ser utilizado como tratamento para o glaucoma e como uma plataforma para outras aplicações de libertação de compostos oftalmológicos”, afirma Joseph Ciolino, principal autor do estudo.

Para Paulo Arruda Mello, Professor Associado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Presidente da Sociedade Latino-americana de Glaucoma (SLAG), este avanço científico pode tornar o tratamento do glaucoma mais eficiente.

“É uma grande expectativa, principalmente para o paciente. É fundamental para o êxito do tratamento do glaucoma que o paciente siga corretamente o que é estabelecido pelo médico oftalmologista. Só assim é possível controlar a doença”, diz.

Ainda segundo o professor, mesmo com o tratamento adequado existe a possibilidade do paciente não tolerar a droga por causa de seus possíveis efeitos colaterais no olho ou casino online no organismo como um todo. Com a nova lente isso poderia deixar de ocorrer.

“Existem duas grandes vantagens de uma lente de contato que libera a droga: primeiro é que o paciente não vai esquecer e segundo que talvez a lente libere menor quantidade da droga e esta menor quantidade, em contato direto com o olho, pode minimizar os efeitos colaterais no próprio olho e no organismo. Para ficar mais claro, é como se no tratamento atual nós usássemos um “balde” da droga para controlar o glaucoma e este procedimento fosse substituído por apenas uma micro gota que penetraria diretamente no olho. Os efeitos colaterais seriam bem menores”, complementa Arruda Mello.

Os investimentos científicos na área de medicamentos crescem a cada ano e a indústria tem papel fundamental nestes avanços. Para o professor, quem ganha com isso é a população.

“Hoje com a nanotecnologia você tem maior possibilidade de ter novos sistemas de liberação de drogas e esta lente de contato nada mais é do que um desses avanços. Tem tudo para dar certo, pois o investimento é muito grande e é de interesse para o paciente, para o médico e para a indústria, o que não é pecado nenhum termos interesse em comum para o bem estar da saúde ocular da população. Eu quero remédios cada vez mais eficientes, cada vez mais seguros e é a indústria que vai produzir isso”, finaliza.

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